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01/14/2011

Mikael Colville-Andersen: por que a defesa do capacete “mata” a bicicleta

Bicileta

Imagem: Dana Beveridge.

Há alguns meses, um amigo me perguntou se eu usava capacete para andar de bicicleta. Eu disse que sabia que devia fazê-lo, mas não usava; ele então me respondeu dizendo que eu estava certa, já que o capacete reforça a imagem de que a bicicleta é um meio de transporte inseguro.

Alguns meses depois, assisti a uma palestra de Mikael Colville-Andersen, diretor de cinema e conhecido porta-voz das questões de mobilidade em Copenhague (cidade ciclística por excelência). Segundo ele, promover o uso do capacete só alimenta a cultura do medo em relação às bicicletas, e portanto, desencoraja seu uso.

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Colville-Andersen, que apresentou esta ideia na TEDxCopenhague (via FearLess), começa falando sobre o avanço das bicicletas no mundo: em cidades de todos os continentes, os governos locais estão promovendo este meio de transporte para solucionar problemas como engarrafamentos e má qualidade do ar.

"O capacete para bicicletas não tem uma história de segurança muito significativa: a comunidade científica está dividida exatamente ao meio (entre os que pensam que eles são mais seguros e os que pensam que não). Se o capacete para ciclistas fosse uma vacina ou remédio, não passaria nem perto de ser aprovado por uma autoridade de saúde. Não há provas suficientes de sua eficiência”, afirma Colville. “Existem até estudos que garantem que é possível ter um maior dano cerebral usando o capacete, e que há 14% mais chances de se sofrer um acidente usando um”.

Segundo Colville, o problema é a cultura do medo. "Nunca na história vivemos uma vida tão segura e livre de perigos como hoje no mundo ocidental. Mesmo assim, a cultura do medo desenvolveu uma espécie de escudo ao nosso redor. (…) E o medo é lucrativo. Se conseguirmos fazer com que as pessoas tenham medo de alguma coisa, há uma longa fila de gente esperando para ganhar dinheiro com isso", afirma o dinamarquês.

 Segundo a investigação de Colville, os capacetes sequer são usados para proteger a cabeça de acidentes automobilísticos, já que são feitos para "impactos que não representem risco de morte em acidentes solitários a menos de 20 km/h", sem oferecer proteção à parte de trás da cabeça

 

 

Por outro lado, há alguns anos, foram desenvolvidos capacetes para serem usados dentro dos carros na Austrália, por reduzirem o risco de ferimentos. Mas as montadoras jamais apoiariam tal prática, já que ressaltar como é perigoso dirigir um veículo seria uma péssima jogada de marketing.

Não é à toa que as principais incentivadoras do uso de capacete para bicicletas sejam as próprias montadoras, como indica Colville: "A bicicleta é uma ameaça real e imediata à dominação dos carros em nossas cidades”, conclui.

Segundo ele, o ideal seria atacar a raiz do problema: em vez de advertir pedestres ou ciclistas para tomar cuidado com os carros, fazer o contrário, com cartazes que alertem motoristas a não atropelá-los ou advertências de saúde como as dos maços de cigarros. "O genial é que os anúncios nos maços de cigarro se aplicam diretamente ao trânsito de automóveis. Nem precisaríamos escrever novos textos”, anima-se.

Finalmente, o dinamarquês comenta que 2008 foi um ano ruim para o ciclismo em Copenhague. Enquanto o número de ciclistas e a venda de bicicletas subia em todo o mundo, na Dinamarca o ano marcou o início das campanhas pelo uso do capacete, o que provocou uma queda de 5% nas vendas. Houve 10 mil ciclistas a menos na capital dinamarquesa do que no ano anterior.

 

"Vimos isso em todos os países e cidades: quando se promove o capacete – ou pior, seu uso se torna obrigatório –  as pessoas rejeitam o uso deste meio de transporte sustentável, fazendo-o parecer mais perigoso do que realmente é”, garante.

Sem dúvida, é uma ideia polêmica, mas acredito que muitos argumentos de Colville têm fundamento. E você, o que acha?

 

 

 

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Abaixo encontrará um listado de links e blogs de referência Mikael Colville-Andersen: por que a defesa do capacete “mata” a bicicleta :

Comentários

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Infelizmente o medo é algo que motiva uma indústria. Mas não há dúvida para mim que o capacete pode nos livrar de sérias consequências mesmo em caso de pequenos acidentes.

Já fui salvo pelo capacete duas vezes, nas duas quedas mais críticas que sofri sobre uma bicicleta. Numa delas, estava em uma speed a 30 km/h e, quando caí, bati fortemente a lateral esquerda da cabeça, no asfalto. Não sofri nenhum dano e o capacete chegou a trincar. Se não fosse o capacete, não estaria vivo para escrever este comentário... Prefiro pecar pela segurança e não abro mão do capacete, nem mesmo para fazer pedais urbanos, de menor velocidade.

"Nunca na história vivemos uma vida tão segura e livre de perigos como hoje no mundo ocidental." - Essa afirmação assim como a de que o capacete é desnecessario tem que ser contextualizada. Talvez na Dimanarca, terra do autor, possa ser verdade. Aqui com certeza não é por n fatores, entre eles, trânsito, densidade populacional, qualidade das estradas ruas e calçadas, ausênsia de ciclo faixas, entre outras.

afirmacoes irresponsaveis com esta e' q podem causar mortes. ora, vou deixar de usar capcede porque ha uma cultura do medo formando-se ao redor da bicicleta? comprometer minha seguranca pessoal por uma ideologiazinha mal cozida de q estao lucrando demais com capacetes? tenho um amigo q um dia me mostrou umas fotos de gente em copenhaque sem capacede, e q por tal razao nao usava o cpacete. sao inteligencias assim que continuam a orientar o uso e adocao da bicicleta no brasil.

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