Por Christina Reed
À medida que a populações de tubarões diminuem, os pescadores recorrem cada vez mais às raias jamantas – animais pouco aptos, no sentido mais darwiniano da palavra, a suportar tamanha pressão.
As raias jamantas levam dez anos para alcançar a maturidade, e as fêmeas dão à luz um único filhote a cada dois ou três anos, explicou o pesquisador Mike Bennett, da Universidade de Queensland, à ABC Science:
“Por comparação, o tubarão-branco, considerado uma das espécies marinhas mais vulneráveis do mundo, pode gerar tantos filhotes em uma única ninhada quanto uma jamanta ao longo de toda a sua vida”.
O declínio mundial das mantas e de suas primas, as mantas-diabo, foi documentado em um estudo recente divulgado pelas organizações de conservação Shark Savers e WildAid. O estudo, “Raia jamanta da esperança: a ameaça global às jamantas e mantas-diabo”, começa rastreando o comércio de guelras, a parte cartilaginosa que ajuda as raias a filtrarem o alimento.
"Primeiro, encontramos guelras de jamantas e mantas-diabo em mercados asiáticos há muitos anos; em seguida, seguimos seu rastro até os mercados de frutos do mar do sul da China. É triste observar que estes animais estão seguindo o mesmo caminho dos tubarões em direção à extinção”, alertou o fotógrafo conservacionista e pesquisador-chefe do estudo, Paul Hilton, em um comunicado.
Atualmente, a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) cita tanto a raia jamanta (Manta birostris) como o tubarão-branco (Carcharodon carcharias) como espécies vulneráveis, e a raia-diabo (Mobula thurstoni) em uma situação ligeiramente melhor (quase-ameaçada).
O estudo também avaliou a vida de uma raia jamanta em US$1 milhão, correspondente à renda que um animal produz para o ecoturismo local. E o valor total do comércio de guelras? Cerca de US$11 milhões por ano, segundo o estudo, o que torna o animal vivo um investimento muito mais lucrativo. Calcula-se que a indústria turística de mergulhos para avistamento de raias fature mais de US$100 milhões por ano em todo o mundo.
Brasil (em Português)
