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É possível que o açúcar seja tóxico?

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Azucar
Imagem: JadeGordon/Stock.xchng.

Por Paula Alvarado.

Devido ao aumento da obesidade e do diabetes no mundo (segundo a Organização Mundial da Saúde, a obesidade afeta mais de um bilhão de adultos e se tornou uma epidemia), durante os últimos anos se intensificaram as críticas ao açúcar e ao xarope de milho rico em frutose, um substitudo do açúcar usado na produção de alimentos, sobretudo de refrigerantes.

O fato de estes ingredientes fornecerem “calorias vazias”, sem propriedades nutritivas, era o principal argumento para se defender a necessidade de reduzir seu consumo. No entanto, novas pesquisas e estudos indicam que os efeitos do açúcar no organismo humano podem ser bem piores.

Depois de estudar temas ligados a nutrição e saúde por mais de dez anos, o pesquisador Gary Taubes publicou em abril de 2011 um extenso artigo no New York Times que explica o assunto em detalhes.

Resumindo as explicações, o problema está na forma com que o corpo humano processa a frutose:

-O açúcar refinado é composto pela ligação entre uma molécula do carboidrato glicose e uma do carboidrato frutose (ambos em partes iguais, 50%-50%), enquanto no xarope de milho rico em frutose, essa proporção é de 55% de frutose e 45% de glicose. A frutose é duas vezes mais doce que a glicose e difere de outros alimentos ricos em carboidratos, como o pão e a batata.
-Uma vez no intestino, a glicose é metabolizada por todas as células do corpo, mas a frutose é metabolizada principalmente pelo fígado. Quanto maior o consumo de açúcar e frutose, mais o fígado trabalha.
-A velocidade com que o fígado funciona pode afetar o processamento desta substância. Vários estudos com animais comprovaram que, se uma determinada quantidade de frutose chegar rapidamente ao fígado, este converte grande parte dela em gordura.
-Estudos indicam que o chamado fígado gorduroso provoca resistência à insulina. O que é isso? O corpo secreta insulina em resposta aos alimentos ingeridos para controlar os níveis de açúcar depois de uma refeição. Quando as células são resistentes à insulina, o corpo (mais especificamente, o pâncreas) reage aos níveis elevados de açúcar no sangue secretando mais e mais insulina.
Quando o pâncreas não consegue suprir a demanda de insulina ou para de funcionar, o nível de açúcar no sangue se descontrola, provocando o diabetes.
-Mesmo que você não desenvolva diabetes, os níveis elevados de insulina no sangue geram efeitos negativos, como aumento dos triglicérides e da pressão (ampliando o risco de doenças cardíacas) e redução do colesterol “bom”, o HDL, o que agrava a resistência à insulina.

“É muito provável que o açúcar e o xarope de milho rico em frutose, pela forma incomum como nosso corpo metaboliza a frutose e pelos níveis atuais de consumo, provoquem o acúmulo de gordura no fígado, condição seguida de resistência à insulina e síndrome metabólica, iniciando um processo que leva a doenças cardíacas, diabetes e obesidade”, conclui o pesquisador.

Azucar-2
Imagem: Christopher Disher/Stock.xchng.

Açúcar = Câncer?

Taubes vai mais longe e explica que a insulina (assim como um outro hormônio, denominado Fator de crescimento insulínico) promove o crescimento de tumores.

“As células de muitos cânceres humanos dependem da insulina para receber o combustível e substâncias necessárias para crescer e se multiplicar. Se o açúcar causa resistência à insulina (o que leva o pâncreas a produzir mais insulina), então, a conclusão de que o açúcar causa câncer é difícil de ser negada - mesmo que sejam apenas alguns tipos de câncer”.

Ele acrescenta que o câncer maligno e o diabetes eram doenças relativamente raras entre populações que não adotavam dietas ocidentais, e que uma pessoa obesa ou diabética tem mais chances de desenvolver câncer, segundo estudos.

Não indicado para menores

À pesquisa de Taubes somou-se um estudo publicado na revista Nature desta semana, de Robert Lustig, um pesquisador de temas ligados à obesidade infantil, que reavivou a polêmica em torno do consumo de açúcar.

Em um artigo publicado no National Post, Lustig e seu grupo de pesquisadores propõem limitar o consumo do açúcar por meio do aumento dos preços dos refrigerantes e até da proibição de sua venda a crianças e adolescentes com menos de 17 anos.

Consumo por sua conta e risco

Finalizando o artigo no New York Times, Taubes esclarece que não existe um consenso científico que reconheça, de fato, uma relação direta entre o consumo de açúcar e o fígado gorduroso, a resistência à insulina e as doenças decorrentes destes distúrbios.

No entanto, as evidências colhidas em estudos com animais e testes em seres humanos com altas doses de frutose pura são compatíveis com a hipótese, e parecem ser suficientes para que se evite o consumo de doces e bebidas ricas em a açúcar... ou que o consumo continue, por sua conta e risco.

Qual é a sua opinião? Você se preocupa com o consumo de açúcar?

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